Acompanhe cada oficina organizada pelo projeto, baixe os textos utilizados, os planos de aula e os relatórios de cada uma:
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Oficinas
Narrativa literária – gêneros conto e crônica: A narrativa como representação da realidade e meio para o processo catártico;
O tema escolhido foi a narrativa literária. Inicialmente, traçamos um breve panorama dos tipos de narrativa mais comuns como conto, crônica e romance; Então, nos centramos na leitura e discussão dos textos apresentados – após breve comentário a respeito dos autores e seus contextos sociais no momento da escritura dos textos –, falando sobre como a literatura pode se relacionar com a vida de cada um. Feito isso, pedidos que cada um escrevesse sobre sua impressão e interpretação dos textos lidos e da discussão feita, assim como sua opinião geral sobre literatura, narrativa, experiências pessoais, etc.
Elementos fantásticos na literatura: A presença e a aceitação por parte do leitor de elementos fantásticos na literatura
Atemo-nos à leitura e comentário de O Retrato Oval, escrito por Edgar Allan Poe. Lemos o texto em conjunto, refletimos sobre os elementos que não obedecem às leis naturais do nosso mundo e que, assim, são chamados de “fantásticos” (TODOROV, 1981) e sobre como a presença desses elementos são comuns na literatura e podem servir como elemento significante. O objetivo dessa escolha temática foi explicitar aos participantes das oficinas como a literatura proporciona um liberdade que não pode ser encontrada em nenhum outro lugar, de poder usar-se a imaginação sem limite algum. Os outros textos foram deixados com os detentos para que eles lessem durante a semana; A proposta de escrita foi que não haveria limites para o uso de elementos fantásticos e que não haveria compromisso nem com lógica nem verossimilhança: eles poderiam inventar qualquer tipo de história ou dar um final alternativo e mágico a alguma experiência pessoal.
A metáfora literária: A representação da realidade e sua crítica através de metáforas
Nesta oficina trabalhou-se este texto com uma turma nova que foi formada naquela semana. Assim, apresentamos o projeto Abraço sem medo, conversamos sobre sua natureza, proposta e metodologia, assim como firmamos o compromisso de permanecermos com uma atitude dialógica, em que a equipe do projeto e os participantes têm igual voz e direito à expressão de suas opiniões e interpretações. Procedemos à leitura do texto, comentamos sobre a metáfora e a analogia no âmbito literário e chegamos a conclusões com a participação de todos, vendo novos matizes para o texto.
A alegoria, a imagem e o símbolo: A importância estética e sentimental das alegorias, imagens e símbolos na arte
Neste encontro discutiu-se a importância da metáfora na literatura, não apenas como elemento estético mas como elemento de (multi)significação. Falamos também sobre a universalidade de alguns temas e sua atemporalidade, pertencendo então à esfera do ‘humano’ e, assim, como a literatura pode servir à ontologia. Atendo-nos no caráter universal do mito metafórico selecionado, discutimos a respeito das escolhas que permeiam a vida humana, convidando-os, como de praxe, a transportar a temática que estava sendo discutida às suas próprias vidas, tanto em relação às vivências anteriores quanto aos planos futuros.
Textos dos participantes:
Lemos, pela primeira vez, um texto produzido por um dos colegas detentos participantes do projeto, Valdemar Gomes. A recepção e o entusiasmo de terem o texto de um dos seus digitado e sendo o nosso objeto de leitura da semana deu à equipe uma boa perspectiva de como será a recepção do livro, publicado ao final do projeto contendo apenas textos dos detentos. Neste encontro também foram passadas apresentações de slides, com várias imagens, sobre diversos tipos de teatro e uma breve história deste, assim como alguns vídeos sobre esses temas.
A narrativa em fluxo de consciência e a escrita de um não-literato: O valor da escrita quando esta “representa” e o valor da vida humana através da interpretação de fluxo de consciência
Neste encontro levamos textos de complexidades bastante diversos: o de Lygia Fagundes Telles, que trabalha com fluxo de consciência – o que pode trazer dificuldade ao leitor inexperiente –, e a escrita de Da Vinci, que não dedicou sua genialidade à escrita literária e, mesmo tendo contribuído grandemente com outras artes, não se tornou um grande nome da Literatura. Mesmo assim, sua obra é significativa, dado o valor das mensagens que os seus textos escolhidos procuram passar ao leitor. A escolha deste texto ocorreu para incentivar os detentos a refletirem e escreverem e mostrar-lhes que seus textos não precisam ter uma linguagem erudita ou uma construção complexa para terem grande valor. A escolha de A Mão no Ombro foi para que o texto fosse utilizado como mote para uma discussão – que acabou sendo muito relevante e catártica para os participantes da oficina –, o valor que atribuímos à vida, começando pelo cotidiano. A atenção que prestamos às atividades do dia-a-dia, às pessoas que estão à nossa volta e, por fim, a efemeridade da vida.
Textos filosóficos: A reflexão provocada pela Filosofia
Através da Alegoria da Caverna, de Platão, e com a participação da acadêmica de Filosofia da UNIOESTE campus Toledo Anna Penhopf, falamos sobre o que se pode chamar de Filosofia e interpretamos a Alegoria, desta vez de forma filosófica (dado que já havíamos interpretado a alegoria enquanto um recurso da Literatura. Vimos também a mesma mensagem de Platão em forma de história em quadrinhos e conversamos sobre como ocorreu esta adaptação entre 'formas de dizer' diferentes. Também colocamos em pauta a questão do que pode ter se perdido ou ganhado, em relação ao 'conteúdo', quando a 'forma' é modificada. Então, lemos aforismas de filósofos reconhecidos sobre educação e auto-confiança individual, assim como alguns poemas do filósofo Friedrich Nietzsche.
Coletânea de Poemas:
Utilizando poemas como Poemas Portugueses (4), de Ferreira Gullar, e Poema de Natal, de Vinícius de Moraes, propusemos um diálogo sobre a transcendentalidade da vida e de alguns valores e sentimentos mesmo que estes surjam de momentos passageiros. Com os poemas O Mario de Andrade Ausente, de Manuel Bandeira, e Retrato, de Cecília Meireles, conversamos sobre as mudanças que a vida traz, sentimentos como saudade de pessoas e de épocas e, dada a leitura deste último, incitamos uma discussão a respeito do conceito de identidade e de como esta também se modifica ao longo do tempo, assim como de que modo podemos modificá-la para melhor, consciente e voluntariamente.
Consciência social e valores de companheirismo : Poemas de Bertold Brecht e Walt Whitman
Com poemas do teatrólogo Bertolt Brecht, e Quando em teu colo deitei a cabeça de Walt Whitman, discutimos a importância de existir companheirismo na sociedade humana, assim como de coletividade. Guiamos o debate no sentido de que todos juntos são sempre mais fortes do que um só e de que, além de tudo, também é imprescindível ao homem de hoje que ele tenha senso crítico para não se deixar abater pela "tirania" de que fala Brecht em seus poemas nem, obviamente, tornar-se um tirano contra os seus semelhantes.
Uma poeta local e a Releitura de Literatura: Como o leitor modifica o texto que lê
Oficina ainda a ser levada à PIC.
Para saber mais:
AGUIAR, A. R. Roberto. Direito, poder e opressão. São Paulo: Editora Alfa-Omega, 1990.
AGUIAR, Vera Teixeira de.O leitor competente à luz da teoria da literatura. Revista Tempo Brasileiro. N º 124. Rio de janeiro: Tempo Brasileiro, ed. trimestral, 1996.
BORDINI, M e AGUIAR, V. T. A formação do leitor: alternativas metodológicas. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1988.
BORDINI, Maria da Glória. Uma metodologia alternativa para a leitura na escola. Leitura: teoria e prática. Porto Alegre: Mercado Aberto, p. 34-36, jul. 1984.
______. Literatura: a formação do leitor: alternativas metodológicas. Porto Alegre: Mercado Livre, 1988.
BRANDÃO, Raul. A morte do palhaço e o mistério da árvore. Lisboa: Ed Dom Quixote, 2003.
FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler: em três artigos que se completam.22. ed. São Paulo: Autores Associados: Cortez, 1988.
———. Da leitura do mundo à leitura da palavra. Leitura: teoria e prática. Porto Alegre: Mercado Aberto, p. 03-17, nov. 1982.
KAFKA, Franz. Contos. Disponível em: “http://www.scribd.com/doc/3029707/Contos-Franz-Kafka” Acessado em: 03/03/2009.
POE, Edgar Allan. Histórias extraordinárias de Edgar Allan Poe. Tradução de Clarice Lispector. Disponível em: “http://books.google.com/books?id=-jTBrN6AiskC&pg=PA6&lpg=PA6&dq=hist%C3%B3rias+extraordin%C3%A1rias+de+allan+poe&source=bl&ots=0t9oM6ZAyh&sig=XazLf7O5Aed7M4zfGQ70u6WpMB4&hl=en&ei=RKMDSs7bDsqMtgew_rmIBw&sa=X&
oi=book_result&ct=result&resnum=2#PPA100,M1” Acessado em: 10/02/2009
SABINO, Fernando. A companheira de viagem. Rio de Janeiro: Editora Record, 1965.
SCHWAB, Gustav. As mais belas histórias da Antiguidade Clássica: os mitos da Grécia e de Roma. Rio de Janeiro: Editora Paz e Terra, 1996.
TELLES, Lygia Fagundes. Seminário dos Ratos. Rio de Janeiro: Ed. José Olympio, 1977.
TEZZA, Cristóvão. A cidade inventada. Curitiba: Coo Editora, 1980.
THOMPSON, Augusto F. G. A questão penitenciária.Petrópolis, Vozes, 1976.
TREVISAN, Dalton. Vinte contos menores. Rio de Janeiro: Editora Record, 1979.
ZILBERMAN, Regina e SILVA, Ezequiel Theodoro (Org.). Leitura: perspectivas interdisciplinares. 2.ed. São Paulo: Ática, 1991 (Serie Fundamentos, 42).