Prática de ensino

 

Muitas vezes os alunos irão testar sua resistência, ver até que ponto você é firme nas regras e nas combinações que estabeleceu com eles. Podem pedir demais para irem ao banheiro, apresentar estratagemas que podem comprometer o domínio da classe. Mantenha-se firme em suas determinações, mas, com o cuidado de não ser inflexível demais.

As aulas nunca acontecem perfeitamente de acordo com o que foi planejado. Fique atento às inúmeras situações que podem atrapalhar e interferir no andamento do trabalho. Prepare-se para, eventualmente, enfrentar qualquer uma destas situações (muitas das quais você presenciará já na observação das aulas):

 

Interferências e empecilhos que dificultam o trabalho (situações corriqueiras e comuns)

· Alunos abordando o professor na porta ou no corredor perguntando sobre o trabalho, avisando que esqueceram a tarefa, o material, etc: diga que depois que todos estiverem sentados em seus lugares todas aquelas questões e problemas serão tratados.

· Mochilas sobre as mesas ou espalhadas pelo chão: mesmo que, aparentemente, não seja um empecilho para o trabalho, atrapalham a visão do professor e ocupam espaços em que o material e outros elementos poderiam estar melhor dispostos.

· Entradas de pessoas para darem recados para turma: uma ou duas vezes, tudo bem, desde que não abusem do tempo e do número de vezes. Caso isso aconteça, comunique-se com a coordenação pedagógica, a direção, etc.

· Idas ao banheiro ou ao bebedor: estabeleça regras de acordo com o horário e tente ser sensível as reais necessidades do aluno. Se o período é depois do recreio, quando os alunos tiveram tempo para beber água e ir ao banheiro, deixe somente no final da aula. Evite que os alunos saiam em duplas ou grupos.

· Alunos que precisam sair da sala porque são chamados pelo grêmio estudantil, pelo serviço de orientação etc: tudo bem, desde que por curtos períodos de tempo e não por várias vezes consecutivas. Neste caso, comunique o aluno e os solicitantes sobre a inconveniência de tantas requisições.

· Alunos que precisam sair no meio da aula: desde que apresentem justificativa e estejam autorizados de acordo com as regras da escola, tudo bem, mas que não aconteça sempre com o mesmo aluno. Não é comum que aconteça duas vezes, nesse caso, averigúe a necessidade das saídas com os funcionários responsáveis da escola.

· Alunos que não prestam atenção quando a professora fala ou que não respeitam a fala de outros colegas: chamar a atenção com firmeza, caso o problema persista, converse com os alunos particularmente.

· Alunos que se atrasam: veja as regras da escola e a tolerância de tempo permitida.

· Alunos que saem sem avisar ou sem autorização, no meio da aula: comunicar o supervisor e não permitir que aconteça novamente.

· Alunos que dormem em sala de aula (mais comum em turmas noturnas, de adultos): sugerir que o sonolento dê uma volta para lavar o rosto ou tomar um café. Faça perguntas que o estimulem e procurar algo na proposta que o incentive a vencer o cansaço.

· Alunos que perderam aulas e não acompanharam passos importantes do desenvolvimento do trabalho: retomar brevemente o que foi feito (ótima oportunidade para fazer os alunos que participaram integralmente falarem dos estudos ao colega) e, dar a oportunidade do aluno elaborar as tarefas perdidas em casa.

· Alunos que se isolam ou são rejeitados pelo grupo: pense em estratégias integradoras, onde todos participem. Organize os grupos de trabalho de modo a dissolver as “panelinhas”, pela lista ou por sorteio.

· Alunos com necessidades especiais: caso tenha um em sua turma, converse com os coordenadores e profissionais envolvidos no caso sobre como manejar as diferenças desses alunos com o grupo.

· Aluno com forte liderança, que controla o grupo mais do que o professor: mesmo que não simpatize com ele, ganhe sua confiança e torne esse tipo de aluno seu aliado. Lembre que seu tempo é curto demais para corrigir alguém assim.

· Alunos que não trazem o material: faça com que os colegas compartilhem os seus, não o deixe ficar sem trabalhar (ás vezes é isso o que o aluno negligente quer).

· Escolas onde outros professores costumam liberar os alunos antes do período terminar: além do barulho nos corredores, o hábito de não “prender” os alunos até o final dos períodos pode atrapalhar muito o andamento de uma atividade, pois eles tendem a fazer pressão para que o professor-estagiário também os “soltem”. Lembre que as deficiências educacionais começam por aí. Explique para a turma que você não está autorizado a liberar ninguém antes do término do período e mostre a importância da conclusão de sua aula.

· Conversas excessivas entre todos: invente estratégias em que os alunos sejam obrigados a falar para todo grupo.

· Choros: acontecem quase sempre meio escondidos, pois, principalmente os adolescentes, colocam as faces voltadas para dentro da mesa entre os braços. Com o trabalho encaminhado e o resto da turma ocupada, converse particular e discretamente com o aluno.

· Brigas: chame a atenção dos alunos envolvidos (veja como é importante conhecer os nomes!). Se não lhe atenderem, tente apaziguar. Caso continuem, encaminhe os alunos para o setor responsável.

· Gritarias: não tente gritar mais alto. Fique em silêncio, olhando severamente para a turma até que todos se acalmem. Quando o nível de som diminuir, comente sua perplexidade frente aquela histeria e incentive os alunos a terem outras atitudes.

 

Detalhes que podem, ou não, atrapalhar o trabalho

· Uso de bonés: confira se não há restrições da parte da escola ou do supervisor, lembre-se que para muitos ele é uma extensão do próprio corpo.

· Drops e chicles: Devem ser evitados, ao menos, nas apresentações orais.

O que não permitir, devido ao alto grau de dispersão

· Alunos que fazem temas e trabalhos de outras disciplinas durante sua aula: mesmo que isso aconteça com um aluno comprometido e interessado, que já cumpriu com as tarefas, você abre precedentes para que isso aconteça em outras situações, perdendo poder de argumentação com alunos dispersivos, que fazem o trabalho em sua aula por estarem em falta com outros professores, quase sempre dos períodos que seguem a aula de Filosofia.

· Uso de celulares: veja quais as regras da escola. Se estiver atrapalhando, retire o aparelho e o desligue, devolvendo somente no final da aula.

 

Situações raras e extremas que podem complicar o andamento de uma aula

· Roubos: situação rara, mas que algumas vezes acontece. Seja você ou algum aluno que tenha dado falta de algo na mochila ou mesmo na mesa, não deixe que ninguém saia da sala e chame a direção ou os funcionários responsáveis.

· Alunos com armas brancas em sala de aula: retire a faca ou canivete, assim como qualquer outro objeto perfurante que por ventura tenha sido usado de forma ameaçadora e entregue o pertence à direção, explicando a ocorrência.

· Alunos com armas de fogo: mande um aluno de sua confiança chamar a direção. Jamais recolha pessoalmente a arma do aluno, muito menos o expulse da sala de aula.

 

Outros entraves, alguns sem solução, para os quais o estagiário deve estar preparado

· Barulhos externos (trânsito de automóveis, aulas de educação física) que poluem sonoramente a sala

· Salas de aula com portas que não se fecham: colocar uma carteira na frente.

· Janelas enguiçadas.

· Luminosidade insuficiente

· Goteiras em sala de aula

· Não haver classes, cadeiras ou espaço para todos os alunos

· O recurso tecnológico estraga no dia planejado para o uso: tenha sempre uma proposta extra para este dia, para não ficar sem saber o que fazer.

 

Para que seu relatório expresse efetivamente aquilo que se pensa, evite fazer anotações enquanto ministra sua aula.

Elogie as produções e o desenvolvimento dos alunos. Estimule-os!

Seja professor, filósofo, poeta, amigo, e, se necessário, até policial. Jamais seja um juiz. Ninguém está na escola para ser condenado ou absolvido, ganhar o paraíso ou ir para o fogo do inferno. Portanto, evite qualquer tipo de julgamento, seja sobre a escola, a professora regente e sobre os alunos e seus trabalhos. Lembre que uma análise crítica é completamente diferente de um tribunal.

Sua postura, comprometimento com o trabalho, sua inventividade frente aos problemas educacionais, contribui para a imagem que as pessoas fazem da Filosofia e da importância que esta tem na educação e na sociedade. Mesmo que em dimensões microscópicas, você está trabalhando para que o mundo seja pensado em termos éticos, estéticos e políticos e não mais a partir de sistemas morais produtores de uma realidade cheia de misérias e doenças. Ninguém vai salvar o mundo dando aulas de Filosofia, mas, certamente, pode criar possíveis existenciais que fazem a vida valer à pena.

 
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