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Unioeste - Universidade Estadual do Oeste do Paraná

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1992
AMES, José Luiz. Liberdade e Libertação na Ética de Dussel. Campo Grande: CEFIL, 1992, 165p (Série Reflexões sobre a América Latina)

Percorrer o discurso dusseliano não é tarefa fácil, pois seu discurso denso, nem sempre é suficientemente preciso, especialmente no período de emergência da filosofia da libertação. Entretanto, a reflexão dusseliana é uma das grandes contribuições do pensamento latino-americano para a filosofia e um valioso marco conceitual para a reflexão filosófica articulada à práxis de libertação. Conforme Pedro Gambim, neste trabalho de Ames, originalmente apresentado como dissertação de Mestrado em Filosofia, na PUC-RS (1987), "encontra-se o esforço de leitura crítico-compreensiva de um dos temas fundamentais do pensamento dusseliano - sua filosofia ética - abrangendo a primeira 'fase' de desenvolvimento de sua reflexão". A obra constitui-se em um instrumento auxiliar para "percorrer o universo teórico dusseliano, compreender as categorias fundamentais e as teses básicas de sua ética da libertação". Realiza também um debate crítico-construtivo em torno das teses defendidas por Dussel neste período.


2000
ONATE, Alberto Marcos. O crepúsculo do sujeito em Nietzsche ou como abrir-se ao filosofar sem metafísica São Paulo: Discurso Editorial/Editora UNIJUÍ, 2000, 134p, (Sendas & Veredas)

Esse livro aborda um dos temas mais relevantes para a filosofia contemporânea: o sujeito. Partindo do surgimento da noção moderna de sujeito com Descartes, o autor mostra como essa concepção sofre uma crítica contundente nos textos do filósofo Friedrich Nietzsche. Faz ver ainda que, ao minar os pressupostos metafísicos que sustentam a subjetividade, a filosofia nietzschiana abre caminho para um pensamento não-metafísico. Originalmente uma dissertação de mestrado, sob orientação da Profª Scarlett Marton, a publicação de O crepúsculo do sujeito em Nietzsche ou como abrir-se ao filosofar sem metafísica contribui, com seu rigor analítico, com o desenvolvimento dos estudos nietzschianos no Brasil.

2001
JR., Wilson A. Frezzatti. Nietzsche contra Darwin. São Paulo: Discurso Editorial/Editora UNIJUÍ, 2001, 150p, (Sendas & Veredas).

Nietzsche contra Darwin desfaz um lugar comum presente em várias interpretações da filosofia nietzschiana: o pensamento de Nietzsche, apesar de suas críticas dirigidas contra o darwinismo, seria darwinista. Inicialmente, o autor pretende mostrar que o darwinismo não possui um sentido exato a partir do qual se possa, sem maiores explicações, afirmar que o filósofo alemão é darwinista. Uma vez que o conceito de darwinismo é altamente impreciso, pois depende de quem o utiliza e de quando e de onde é utilizado, a investigação valeu-se da imagem de Darwin que Nietzsche apresenta em sua obra: suas críticas ao naturalista inglês giram em torno de duas importantes noções - a luta pela existência e a seleção natural. Através da análise dessas críticas, descobre-se que a divergência entre Nietzsche e Darwin é profunda: o cerne da oposição entre eles é a concepção de vida. O erro da escola de Darwin, segundo o filósofo, é considerar a vida como conservação, estar cego ao seu caráter de superação - a dominação e a criação. Nietzsche contra Darwin, ao investigar a relação entre dois dos maiores pensadores do século XIX, lança maior luz sobre alguns aspectos da filosofia de Nietzsche: a capacidade de criação do homem e o projeto de uma nova cultura.

SCHÜTZ, Rosalvo. Religião e Capitalismo: Uma reflexão a partir de Feuerbach e Marx. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2001, 184p (Coleção Filosofia, 126).

Trata-se de demonstrar o quanto a crítica da religião trabalhada por Ludwig A. Feuerbach influenciou a estrutura argumentativa de Karl Marx. Esta influência possibilitou a Marx a compreensão e desmistificação do Estado Moderno, da Filosofia Hegeliana e da própria economia política da época. A leitura, ao avesso, destas formas de alienação, feita por ambos, possibilita o desvendar das potencialidades humanas contidas nas mesmas. Por fim, visa demonstrar os avanços de Marx em relação a Feuerbach, apesar de seu horizonte comum.

2003
ONATE, Alberto Marcos. Entre Eu e Si ou a questão do humano na filosofia de Nietzsche. Rio de Janeiro: 7 Letras, 2003, 356p

Parte-se da seguinte conjetura reguladora, a ser verificada e legitimada no decurso do texto: em concomitância ao desmonte radical dos pressupostos e dos fundamentos das concepções tradicionais de eu, mente, espírito, alma e de suas implicações, Nietzsche esboça, paulatinamente, um novo horizonte concernente ao humano, que não é mais caudatário dos parâmetros ínsitos na metafísica da subjetividade. Das cinzas do sujeito clássico emerge em seu esplendor a dimensão do corpo, em cujas fronteiras se oculta, por sua vez, o despertar vindouro do além-do-homem, viabilizando e preparado pela atuação de dois operadores nucleares: a criação e a desmedida.

 

 

2006
JR., Wilson A. Frezzatti. A fisiologia de Nietzsche: a superação da dualidade cultura/biologia. Ijuí (RS): Editora UNIJUÍ, 2006, 312p.

Nietzsche nunca tratou explicitamente a questão da relação entre cultura e biologia em seus textos, embora ela esteja neles implícita: seus textos, aparentemente, ora ressaltam a cultura, ora os processos biológicos. Isso pode nos indicar algo: o filósofo alemão talvez nunca tenha pensado em termos de predominância da fisiologia sobre a cultura ou da cultura sobre a fisiologia. As fases culturais foram apresentadas por meio de estados fisiológicos: elas são estados fisiológicos, isto é, diferentes graus de hierarquização de forças. Em outras palavras, os impulsos são utilizados por Nietzsche para pensar tanto estados fisiológicos quanto estados culturais. Os impulsos ou forças, ou seja, os quanta de potência são entendidos como fisiológicos, mas não em um dualismo cultura/biologia: o fisiológico, em Nietzsche, é a própria luta dos impulsos por mais potência - impulsos que constituem não apenas organismos, mas a própria efetividade, o vir-a-ser: seres vivos, o mundo inorgânico, produção humanas, etc. O fisiológico, no pensamento do filósofo alemão, não constitui uma esfera biológica em oposição a uma esfera cultural: o fisiológico nietzschiano rompe a dualidade biologia/cultura. Nietzsche dissolve a questão da predominância da biologia ou da cultura.

2007
SCHÜTZ, Rosalvo. Die abstrahierende Dynamik der modernen Gesellschaft - Konsequenzen für die Beziehung der Menschen untereinander und mit der Natur. 1. ed. Frankfurt a. M., Oxford, Viena: Peter Lang, 2007. v. 1. 229p.

In der Analyse und Bewältigung sowohl der wachsenden ökologischen Krise als auch in der steigenden Misere liegt der motivliche Ausgangspunkt dieser Arbeit. Mit Rückgriff auf Schelling, Hegel, Marx und auf die kritische Theorie soll ein originärer philosophischer Beitrag zum Verständnis der Grundstruktur dieser Gegenwartsprobleme geleistet werden. Die Leserlnnen sollen sich selbst überzeugen können, dass sich durch den Zugriff auf die innere Verfasstheit der gesellschaftlichen Wirklichkeit neue Emanzipationstendenzen freisetzen und begründen lassen. Aus dem Inhalt: Schelling: Entdeckung eines Selbstvernichtungspotentials im menschlichen Sein - Hegel: Die Abstraktionsdynamik im modernen Recht - Marx: Die Abstraktionsdynamik in der modernen Ökonomie - Entfremdung von der Dynamik des Lebens durch Abstraktion: die moderne Gesellschaft.



2008

Jr., Wilson A. Frezzatti & PASCHOAL, A. E. (Org.). 120 anos de Para a genealogia da moral. Ijuí (RS): Editora UNIJUÍ, 2008, 368p.

A idéia de se fazer um evento, no interlúdio entre os encontros da ANPOF (Associação Nacional de Pós-Graduação em Filosofia), surgiu na reunião do Grupo de Trabalho (GT) Nietzsche em 2006, no âmbito do XII Encontro Nacional de Filosofia de nossa associação, na bela cidade de Salvador. O tema não poderia ser mais adequado: em 2007, a publicação de uma das principais obras de Nietzsche, Para a genealogia da moral (Zur Genealogie der Moral), completaria significativos cento e vinte anos. Outros aniversários expressivos acompanhariam o nosso: 1000 anos da fundação de Xangai; 500 anos do batismo do Novo Continente com o nome "América"; [...] 150 anos da morte de Auguste Comte e da publicação de O guarani, de José de Alencar; 120 anos da estréia da ópera Otello, de Verdi [...]; 90 anos da Revolução Russa; 50 anos do lançamento do Sputnik I, o primeiro satélite artificial; 40 anos do lançamento de Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band, de The Beatles, e da morte de Che Guevara; 30 anos [...] das mortes de Elvis Presley, Charlie Chaplin e Clarice Lispector; entre outras efemérides. Não importa, pois o tema da reunião do GT-Nietzsche foi aceito imediatamente: "120 anos de Para a genealogia da moral". Assim, se Nietzsche busca apontar a origem dos valores morais, não o faz por um interesse voltado para o passado, mas para o presente. Sua história da emergência de formas de valoração constitui um poderoso instrumento de sua crítica à moral que ele vivencia. Uma crítica necessária não porque esta moral estaria assentada, no passado, sobre fundamentos comprometidos, mas porque ela pode comprometer o futuro do homem. Por sua vez, sua arte de interpretar constitui outra forma de engajamento naquele embate contra a moral vigente. Interpretar, no caso, não equivale a fazer uma exegese, mas conferir sentidos e impor significados novos. Contemplando esta idéia de um engajamento, de uma forma de fazer guerra, Nietzsche se refere ao seu livro de 1887, em sua autobiografia, nos seguintes termos: "a cada vez um começo que obriga a desorientar, frio, científico, irônico mesmo, intencionalmente primeiro plano, intencionalmente temporizador. Aos poucos, mais agitação; relâmpagos isolados; verdades bem desagradáveis anunciando-se ao longe com surdo zumbido - até ser enfim alcançado um tempo feroce em que tudo se lança adiante com tremenda tensão" (EH/EH Genealogia da moral).

2009
ANTUNES, Jadir & BENOIT, Hector. O movimento dialético do conceito de crise em O capital de Karl Marx. São Paulo: Týkhe, 2009, 176p (Coleção Marx e a Tradição Dialética)

O livro O movimento dialético do conceito de crise em O capital de Marx é o resultado de anos e anos de estudo de O capital de Marx. Foram feitos seminários de O Capital desde 2003. Trata-se, portanto, de uma pequena síntese de todo esse longo percurso teórico em nome de uma leitura dialética de O capital. Sobretudo, hoje, diante da mais aguda crise do capitalismo após 1929, crise que atinge o centro do capitalismo mundial, O capital de Marx tem se afirmado como a única elaboração teórica capaz de explicar as contradições do presente. Mais do que nunca, este livro é necessário e urgente.

 

 

ANDRADE, Edson Luis Medeiros. Da arte de construir mundos. São Paulo: Clube dos Autores, 2009, 294p.

Trata-se de uma obra que apresenta uma teoria da criação dos sistemas filosóficos e, ao mesmo tempo, sustenta um ceticismo relativo à possibilidade de suas fundamentações.

 

 

SILVA, Claudinei A. F. A carnalidade da reflexão: ipseidade e alteridade em Merleau-Ponty. São Leopoldo (RS): Nova Ha rmonia, 2009, 328p

Este prefácio, na verdade, deveria ser escrito por Bento Prado Jr. se sua morte prematura não viesse a pôr término numa mente extremamente rica e promissora. Os contornos da tese que gerou essa publicação são de sua inteir a responsabilidade. O que fiz foi "pegar o bonde andando", quase atingindo sua meta. Digo isso não para jogar a responsabilidade sobre outro, mas, sim, porque é de justiça. Além do que, como veremos mais à frente, é uma tese digna do orientador, e de seu orientando, que soube tomar sob sua rédea tão instigante, como intrincado tema. É verdade, Bento não temia os desafios. E um de seus maiores foi a tese de Claudinei A. de Freitas da Silva. Talvez o orientador tenha lançado sua maior cartada e, ao que tudo indica, não ficaria decepcionado. Em todo caso, é com misto de gosto e desgosto, que escrevo esse prefácio. Desgosto, pelas razões que expus acima. E gosto, porque é uma tese das mais fascinantes sobre Merleau-Ponty e que Claudinei soube levar a muito bo m termo. Claudinei de Freitas sustenta a tese de que há um só Merleau-Ponty: o da reabilitação ontológica do sensível. É cavando, ou escavando, cada vez mais, em busca dessa reabilitação que, por fim, cai n'O Visível e o Invisível, o qual interpreta nosso autor com aprofundamento - é assim que ele lê pelo menos a famosa frase d'O Visível e o Invisível, "tudo isso que eu retomo, aprofundo e retifico dos meus primeiros livros"; ou nas palavras de Claudinei, "o que entra em jogo aqui não é um simples abandono das teses iniciais, mas um redirecionamento das mesmas num outro discurso". Uma vez posta a unidade da obra, passo então às análises concretas feitas por Merleau-Ponty sob a ótica de nosso autor. Gostaria de destacar, a título de exemplo, sem jamais desmerecer em momento algum as outras passagens, a análise do inconsciente, a análise do tempo e a análise da obra de arte, que não vou reproduzir aqui para não tirar do leitor o prazer da leitura do texto de Claudinei. Em todo caso, essas me parecem ser de um fulgor a toda prova. De uma maneira ou de outra, a razão não vê tudo. Há uma sombra da razão, ou melhor, uma zona de sombra, e é isso que Merleau-Ponty pretende investigar. Ou, não se cansa de investigar e, no limite, essa zona de sombra revela o caráter inconcluso da reflexão filosófica. Daí por que, entre outras coisas, ele elevou à dignidade filosófica a psicologia infantil, os povos primitivos e a obra de arte. Estamos aqui diante, pois, não de outro patamar da razão, mas, sim, da desrazão, cuja razão é o elo mais brilhante de um outro mundo que está mergulhado diante de uma sem razão. Na sua outra face, sob um outro foco, a razão abarca, nas suas entranhas, a desrazão. A desrazão não é o oposto da razão, mas seu fundamento último. É isso que denomina, entre outras coisas, a filosofia da carne. Enfim, a partir de Husserl (Crise, parágrafo 73, apêndice 28), a filosofia apoditicamente rigorosa: esse sonho acabou. De certa maneira, na Estrutura do Comportamento, mas, sobretudo na Fenomenologia da Percepção, Merleau-Ponty já dava isso como fato consumado, embora não extraísse daí todas as suas consequências. É por isso também que, num certo sentido, a filosofia merleau-pontyana inscreve-se sob o signo da interrogação. É verdade que, na Estrutura do Comportamento e na Fenomenologia da Percepção, ainda restam alguns resquícios dogmáticos, sobretudo na Estrutura do Comportamento. Mas é apenas uma aparência: a Estrutura do Comportamento basicamente realizava uma crítica da psicologia, e a Fenomenologia da Percepção já é um texto cujas "afirmações dogmáticas" são muito poucas. É muito mais a interrogação sobre o ser do que afirmações dogmáticas. É um novo estilo filosófico nascente que terá seu coroamento n'O Olho e o Espírito e n'O Visível e o Invisível. É um questionamento incessante sobre os fundamentos. Aliás, o que distingue a obra de Sartre da de Merleau-Ponty é exatamente isso: enquanto um se apega ao dogmatismo, o outro se interroga constantemente sobre o ser e as essências, produzindo uma verdadeira explosão do pensamento clássico. Diz-se que, logo antes de sua morte, Merleau-Ponty estava relendo a Dióptrica de Descartes. É que nunca deixou de polemizar com os clássicos, mas a sua maneira era outra: a de questionar incessantemente sobre os "dados". É por isso que, de certa forma, é impossível dialogar com ele como se dialoga com um clássico. Um clássico sempre tem uma tese. Ora, é difícil encontrar uma tese, nesse sentido, em Merleau-Ponty. Sartre, se não me engano em seu necrológio sobre Merleau-Ponty, aponta uma certa "visão infantil" que perpassa todo o discurso e a ação de Merleau-Ponty. Mas é preciso ter essa visão infantil para derrubar esses pressupostos. E ninguém fazia melhor esse trabalho do que Merleau-Ponty. Não uma visão adulta, já "carregada" de preconceitos; mas, sim, uma visão ingênua, não corrompida, para vasculhar todo o arsenal teórico e denunciá-lo um após o outro; não só os dogmas da filosofia clássica, para ver o invisível, ouvir o inaudível e, dessa maneira, ir interrogando a interrogação até não restar um só resto. Mas isso é realmente possível? Merleau-Ponty provavelmente diria que não. É por isso que, ao picotar a obra, revela-se um non-sense absoluto. São as mesmas interrogações que Merleau-Ponty põe em foco. A radicalidade não significa, de maneira alguma, outro tipo de investigação. Significa apenas pôr em jogo uma espécie de "ir ao fundo"; e não uma outra filosofia. É falso pensar que existiria, "grosso modo", entre A Fenomenologia da Percepção e O Visível e o Invisível, uma ruptura. Enfim, tudo parece indicar apenas um aprofundamento. Nesse sentido, a obra de Merleau-Ponty, instigante, é um modelo. Se uma figura me ocorre é a de um pensamento concêntrico - onde não há ponto de partida, nem ponto de chegada. Esse inacabamento é sua maior grandeza. Assim, só posso congratular-me com Claudinei de Freitas, que soube acompanhar tão bem o pensamento merleau-pontyano nesse pequeno primor intitulado A Carnalidade da Reflexão: ipseidade e alteridade em Merleau-Ponty. Continue assim!

Luiz R. Monzani
São Carlos, março de 2009

SAKAMOTO, Bernardo A. M. Da ordem astronômica à ordem social: a gravitação universal e o indivíduo como fundamentos do mercado. Cascavel (PR): Edunioeste, 2009, 110p (Coleção Thésis)

Esta obra insere-se na tradição da filosofia moral britânica moderna. Apresenta como David Hume e Adam Smith estabeleceram na moral e na economia, respectivamente, uma relação análoga à nova ordem do universo exposta por Newton no Sistema de Mundo. Devido ao fato de que este é um tema estudado só tangencialmente pelos historiadores das idéias, o presente trabalho tenta ressaltar a existência de uma relação análoga que parte do estudo das ciências naturais para ser aplicado nas ciências sociais. Ao estabelecer uma analogia entre duas ciências encontramos a dificuldade no grau de abstração necessário para encontrar a semelhança na diferença. Para determinar uma analogia entre as ordens das ciências naturais e as ciências humanas, tem-se que precisar o tipo de ordem a ressaltar; visto que a idéia de ordem surge com a própria filosofia, desde os pré-socráticos. Quando nós falamos da analogia na ordem, referimo-nos às regras e às leis apresentadas por Newton na lei da gravitação universal. Hume instaura uma ordem social na moral e na política a partir da virtude da justiça. Smith fundamenta a ordem econômica mediante as regras de equilíbrio do mercado e a ordem social apresenta-se como uma das tarefas do Estado.
DESCARTES, René. O mundo ou Tratado da luz e O homem. Tradução, Apresentação e notas de César Augusto Battisti e Marisa Carneiro de Oliveira Franco Donatelli. Campinas (SP): Edunicamp, 2009, 456p

Este volume da Coleção Multilíngues apresenta aos leitores de língua portuguesa O mundo ou Tratado da luz e O homem, obras escritas por Descartes, de 1629 a 1633, e publicadas postumamente. Esses dois textos se revestem de grande importância para os que se interessam por questões concernentes à filosofia natural cartesiana, mas também para os que pretendem conhecer o pensamento de Descartes em seu conjunto. Nesta edição bilíngue, ao apresentá-los em um mesmo volume, procurou-se respeitar a unidade entre eles e resgatar a intenção original do autor quando os pensou como uma única obra. N'O mundo, Descartes apresenta as principais doutrinas de sua "física" mecanicista (estrutura da matéria, leis do movimento, explicação do sistema planetário, natureza e propriedades da luz). Com isso, oferece-nos uma visão bastante completa de seu "mundo", sem deixar de se preocupar com sua fundamentação. N'O homem, Descartes expõe a sua concepção de fisiologia, na qual a mecânica é adotada como modelo explicativo. Ao apresentar o corpo humano pelo recurso comparativo à máquina artificial, esse texto pode ser interpretado como um estudo propedêutico à construção da medicina.

2010
MARTÍNEZ, Horacio Luján. Linguagem e práxis. Cascavel (PR): Edunioeste, 2010 (Série Estudos Filosóficos, nº 11)

O livro Linguagem e práxis. Uma introdução à leitura do "segundo" Wittgenstein espera servir, precisamente, como introdução ao pensamento do autor das Investigações filosóficas e Da certeza. Nesse sentido não foram evitados os atritos existentes tanto na exposição quanto na recepção das idéias do filósofo vienense. Eles aspiram a funcionar como instigadores para a reflexão do leitor. Ainda assim, o livro segue a inspiração wittgensteiniana segundo a qual a clareza não é um meio, mas um fim em si mesmo.



SILVA, Claudinei Aparecido de Freitas da. A natureza primordial: Merleau-Ponty e o logos do mundo estético. Cascavel (PR): Edunioeste, 2010, 208p (Série Estudos Filosóficos, nº 12).

Que interesse, em especial, o tema da Natureza pode surtir no debate filosófico atual? Sobre qual campo semântico se torna plausível a filosofia interrogar outra significação da Natureza para além das próprias ciências da natureza? Como a fenomenologia e a ontologia logram cumprir um questionamento mais radical dessa tarefa? Tratar-se-ia, aqui, de mais uma filosofia da natureza, em seu formato tradicionalmente metafísico? É possível interpelar outra ideia de Natureza, sem se tornar vítima da ilusão retrospectiva do naturalismo? Essas entre outras questões circunscrevem a atmosfera geral que move o curso do presente estudo, tendo, como referência, a obra de Merleau-Ponty; uma obra animada, do início ao fim, por uma interrogação fundamental em torno do sentido primordial da Natureza. Ora, o que leva o filósofo a se persuadir pela ideia de uma experiência primordial da Natureza? Merleau-Ponty jamais deixara de realçar o quanto a ciência e a filosofia exigem ser interrgadas a partir de suas próprias origens. Nessa direção, a tarefa filosófica dos tempos atuais deve buscar aquilo que constitui a "auto-produção de um sentido" (N, 19), isto é, o "sentido primordial, não lexical" (N, 19) enquanto desenvolvimento imanente do conhecimento objetivo, do corpo, da intersubjetividade. Por isso, para além do ideal de uma Natureza pura, a razão é posta sob uma exigência ontológica sem precedentes: a de uma explicitação radical do "conhecimento da natureza em seus primórdios" (PM, 160), ou seja, não a "natureza fora de nós", mas aquela que "vivemos do interior", isto é, "de dentro" (N, 20; 267; 275).


HEUSER, Ester Maria Dreher. Pensar em Deleuze: Violência e Empirismo no Ensino de Filosofia. Ijuí (RS): Edunijuí, 2010, 192p

O que é pensar?", eis a questão orientadora deste livro, que, pelas linhas de força da filosofia de Gilles Deleuze, responde-a: pensar é uma violência sobre as faculdades. Resposta inspirada, sobretudo, na obra Diferença e repetição, cujo tema kantiano do conflito entre as faculdades é o lugar de explicação desse leitmotiv que atravessa a filosofia de Deleuze e que pode violentar o pensamento sobre o ensino de filosofia em seus diferentes níveis. Tratar da violência sobre as faculdades implica estabelecer uma doutrina das faculdades, o que, conforme Deleuze, só pode ser feito por meio de um empirismo transcendental. O livro defende que Deleuze produziu sua própria doutrina nas obras anteriores à Diferença e repetição, em seus escritos monográficos, obras nas quais desenvolveu as bases do seu programa filosófico quando procurou engendrar a gênese do pensar, isto é, fazer a descrição genética das condições de efetividade da experiência, edificando uma teoria diferencial das faculdades. Desenvolvimento levado a termo na conjunção: com Nietzsche, Kant, Proust, Sacher-Masoch e na intersecção entre Filosofia e Arte e Ciência, formas do pensamento ou da criação que só existem mediante experiências-limites, quando o pensamento e as demais faculdades são abaladas por forças heterogêneas a elas, tornando-as sensíveis ao impensado. Conceber o ensino de filosofia a partir do sentido produzido por Deleuze para esse problema - "O que é pensar?" - requer, portanto, privilegiar as relações agonísticas presentes nas três formas de pensamento e embaralhá-las de modo que delas se possa extrair novos movimentos de pensamento, de escrita e de possibilidades de existência.

Entre Repúblicas

PANCERA, Carlo Gabriel Kszan. Maquiavel entre repúblicas. Belo Horizonte: Editora da UFMG, 2010, 165p (Coleção: Humanitas Pocket)

Maquiavel formula, no Discurso sobre as formas de governo de Florença, um projeto de reforma político-institucional para sua cidade. Preocupado em solucionar a instabilidade ali reinante, o secretário florentino examina a solução principesca, descartando-a, e a republicana, que vê como a mais adequada para o restabelecimento da coesão interna. O referido escrito maquiaveliano, objeto principal de nossa reflexão ao longo desta obra, oferece não apenas uma discussão e teorização sobre as formas de governo, como também explicita algumas das crenças e valores republicanos do autor.

 

Este volume da Coleção Multilíngues apresenta aos leitores de língua portuguesa O mundo ou Tratado da luz e O homem, obras escritas por Descartes, de 1629 a 1633, e publicadas postumamente. Esses dois textos se revestem de grande importância para os que se interessam por questões concernentes à filosofia natural cartesiana, mas também para os que pretendem conhecer o pensamento de Descartes em seu conjunto. Nesta edição bilíngue, ao apresentá-los em um mesmo volume, procurou-se respeitar a unidade entre eles e resgatar a intenção original do autor quando os pensou como uma única obra. N’O mundo, Descartes apresenta as principais doutrinas de sua “física” mecanicista (estrutura da matéria, leis do movimento, explicação do sistema planetário, natureza e propriedades da luz). Com isso, oferece-nos uma visão bastante completa de seu “mundo”, sem deixar de se preocupar com sua fundamentação. N’O homem, Descartes expõe a sua concepção de fisiologia, na qual a mecânica é adotada como modelo explicativo. Ao apresentar o corpo humano pelo recurso comparativo à máquina artificial, esse texto pode ser interpretado como um estudo propedêutico à construção da medicina.

 

Tratar da questão do sujeito é tratar de um tema central à Filosofia e à História da Filosofia. Poder-se-ia mesmo elegê-la como fio condutor de boa parte do pensamento filosófico ou como forma de caracterização de seus vários períodos. Com efeito, muito se poderia dizer sobre a presença ou sobre a ausência, aqui e acolá, da noção de sujeito, bem como a respeito do modo como ela toma corpo e posição, recebe críticas, enfim, a partir das diversas maneiras de ser entendida e de ser examinada.
Sem pretender, com a presente coletânea, oferecer algo que se assemelhe a tal empreitada ou a uma história da noção de sujeito, encontram-se, aqui, reflexões que apontam para a viabilidade dessa perspectiva. Tomados neles mesmos, os diferentes artigos apresentam tópicos ou problemas relacionados a essa questão maior, sempre circunscritos a determinados pensadores, dando-nos, com isso, uma amostra da riqueza do tema e da sua irradiação e articulação conceituais.

 

 

O destinatário deste libro é o estudante e o professor da disciplina de Filosofia nas escolas de ensino médio. Os temas foram preparados de modo a possibilitar a leitura e o debate durante uma aula. O professor poderá tanto utilizar-se dos temas para expor um assunto particular, quanto promover trabalhos em grupo sobre vários temas diferentes. linguagem simples e acessível favorece o entendimento e motiva a discussão. Os temas remetem sempre aos textos dos próprios filósofos a partir dos quais foram elaborados. Possibilitam, desta maneira, o aprofundamento da discussão e o enriquecimento do estudo. Muito embora o estudante e o professor de Filosofia sejam particularmente favorecidos com a leitura e estudo deste livro, ele é igualmente útil a todos os interessados em compreender melhor a realidade política atual. Ao melhorar nosso nível de formação, nos munimos de informações indispensáveis para uma intervenção mais efetiva na cena política. A leitura e o debate a partir destas reflexões fomentará o questionamento e a discussão sobre as estruturas políticas atuais e será capaz de estimular a criação de novas formas de participação e motivar ao comprometimento com a vida pública. No final, a política deixará de ser uma atividade de alguns profissionais, os políticos, para se tornar uma tarefa de todo cidadão. O resultado de tudo isso será uma comunidade humana mais justa e digna de ser vivida.

 

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Nicolau Maquiavel tornou-se através dos tempos uma figura legendária, erigido em símbolo de tudo o que há na política de demoníaco, de equívoco e inescrupuloso, de astúcia e dissimulação. Contudo, será que a reflexão mais aprofundada de sua obra autorizaria semelhante interpretação da política? Separa Maquiavel efetivamente a moral da política? Apregoa ele a utilização da religião como mero instrumento de legitimação do poder? Concebe ele o homem como essencialmente mau? Será unicamente a lógica da força o que garante a ordem e a segurança dos Estados? Defende ele realmente que os fins justificam os meios?

Neste livro o autor enfrenta estas e outras questões de maneira clara e sucinta, de forma que o leitor encontrará uma boa introdução ao pensamento político de Maquiavel. A obra está dividida em quatro capítulos, cada um deles abordando um tema essencial de seu pensamento: capítulo I a história; capítulo II: a antropologia política; capítulo III: a ética política; capítulo IV: a ação política e o lugar da religião, da milícia e a questão da corrupção. Tanto quem já se iniciou, quanto aqueles que pretendem alcançar uma visão de conjunto do pensamento de Maquiavel encontrarão nesta obra um guia seguro. A análise criteriosa dos textos originais é complementada por uma farta e atualizada bibliografia dos diferentes pontos debatidos.

 

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